» 100 – História

A Polônia e seus Emigrados na América Latina (até 1939)

Código: 130

Autor: Jerzy Mazurek

Tradutor: Mariano Kawka

Editora: Espaço Acadêmico, Goiânia, 2016, 458 pág.

O livro aborda a questão da emigração polonesa, demonstrando que, no panorama dos movimentos migratórios da Europa para a América Latina, aos emigrantes poloneses cabe um lugar de relevo.

A emigração polonesa foi, em termos numéricos, inferior à proveniente da Itália, de Portugal, da Espanha e da Alemanha. No entanto, teve as mesmas causas: a pobreza, o superpovoamento das aldeias, o insuficiente desenvolvimento industrial.

No caso da Polônia, a emigração foi ainda influenciada pela conturbada história desse país, com destaque para o imperialismo da Prússia, da Rússia e da Áustria, que, em 1795, após três consecutivas partilhas, apagaram a Polônia, durante 123 anos, do mapa político da Europa. A reconquista da independência, em 1918, foi antecedida por uma série de levantes malsucedidos, e muitos dos seus combatentes, com receio das inevitáveis represálias por parte dos invasores, optavam pela emigração.

A crise econômica e o consequente agravamento do quadro social do país na segunda metade do século XIX e no início do século XX aumentaram o número de emigrantes, que decidiram procurar em outras terras melhores condições de vida. A completar este quadro, temos, por fim, as duas Guerras Mundiais, que causaram o exílio de novas gerações de poloneses à procura de um lugar ao sol.

O livro contém um olhar diferente sobre essa questão, uma vez que partida de um respeitado pesquisador polonês, com novos ângulos e novos documentos para os estudiosos brasileiros.

O autor é Vice-Diretor do Muzeum Historii Polskiego Ruchu Ludowego – Museu Histórico do Movimento do Povo Polonês, de Varsóvia, que se dedica a esse problema, e professor do Instytut Studiów Iberyjskich i Iberoamerykańskich Uniwersytetu WarszawskiegoInstituto de Estudos Ibero-Americanos da Universidade de Varsóvia.

Preço:
R$ 60,00*
Comprar



* Mais as despesas de Correio

Opinião do leitor

Passo algumas ideias colhidas no livro “A Polônia e seus emigrados na América Latina (até 1939)”, cujo autor é o polonês JerzyMazurek. A tradução é de Mariano Kawka, de Curitiba. O trabalho de Mazurek mostra a visão do movimento emigratório polonês visto desde a pátria-mãe.

Apresento alguns poucos mas interessantes aspectos (itens 4, 5 e 6 do Capítulo I) desta obra que tem mais de quatrocentas páginas.

1. Para a emigração, era preciso atender às exigências próprias de cada dominador.

Havia facilidade para a emigração nas áreas de ocupação prussiana, pois os prussianos tinham o objetivo de enfraquecer o grupo polonês, possibilitando a ampliação do domínio alemão. Pensavam que a emigração facilitava atingir este objetivo.

Nas regiões de dominação austro-húngara, a emigração também não era impedida; o cidadão não precisava providenciar autorização para emigrar, devendo apenas ter cumprido com o serviço militar.

Nas regiões dominadas pela Rússia a situação era diversa. Havia normas rígidas para os candidatos à emigração, devendo passar pela autorização das autoridades competentes.

2. Sabe-se que vários poloneses vieram ao Brasil antes do início da emigração oficial e organizada, como é o caso dos militares que combateram nas lutas luso-holandesas (primeira metade do século XVII). Vieram também alguns profissionais de diversas áreas. Muitos vieram ao Brasil com os alemães e eram tidos com tal nacionalidade.

O número de emigrantes isolados certamente não passa de 200, até a chegada do primeiro grupo de colonos a Santa Catarina, em 1869.

Destaca-se Sebastian Woś, um militar fugido do serviço militar no exército prussiano, que chegou ao Brasil em 1867 com o pseudônimo de Edmundo Saporski. Foi ele que promoveu a vinda de 16 famílias (de parentes e amigos) para uma colônia abandonada pelos irlandeses, na região de Brusque, em 1869.

3. Até 1890, os poloneses que vinham ao Brasil eram das regiões de ocupação prussiana e austríaca. Só a partir deste ano passaram a vir poloneses das regiões ocupadas pela Rússia.

A grande maioria dos emigrantes era constituída de colonos. (Tem-se por certo que era um percentual superior a 90%.) Uma pequena percentagem de emigrantes era constituída de pequeno burguês intelectual ou operário. Interessante notar que operários da região de Łódź lançaram as bases da indústria têxtil em Santa Catarina (Brusque e arredores), que depois foi assumida e desenvolvida pelos alemães.

Assim, os poloneses, em sua grande maioria, se dedicou ao cultivo da terra, cujos resultados lhes foram desfavoráveis, em comparação aos resultados alcançados pelos italianos, alemães e portugueses.

O Brasil foi o primeiro País latino-americano a reconhecer a independência da Polônia (em 11-11-1918), seguido da Argentina.

 4.A Argentina foi o segundo País da América Latina onde se estabeleceu o maior número de poloneses, depois do Brasil. Eram emigrantes econômicos, vale dizer, emigrantes que tinham alguma relação com o comércio, a indústria ou o militarismo. De fato, já em 1812 há nomes poloneses nos registros militares argentinos. Em razão dos levantes pela independência da Polônia ( novembro de 1820, em 1848 e janeiro de 1863), muitos soldados poloneses obrigaram-se a fugir da perseguição dos dominadores. Desta forma, o exército argentino contou com muitos poloneses, inclusive alguns eminentes oficiais.

Além deste viés de emigrantes poloneses, também chegaram à Argentina muitos refugiados políticos e profissionais de diversas áreas.

A primeira organização polonesa na América Latina foi fundada em 1890, em Buenos Aires: foi a “Sociedade Democrática Polonesa”.

5. Em 27 de agosto de 1897, chegaram 14 famílias ao Território Nacional de Missiones, no norte do País, totalizando 69 pessoas; a data é considerada como sendo o início da colonização polonesa na Argentina. Eram famílias oriundas da Galícia polonesa (ocupada pelo Império Austro–húngaro). Receberam entre 25 e 100 hectares de terra, devendo pagar a terra recebida.

6. Também em outros países da América Latina ocorreu imigração polonesa, como no Paraguai, Uruguai, Peru e Bolívia. Mas apenas no período entreguerras houve imigração direta a estes lugares, devido às dificuldades de emigração ao Brasil e Argentina. Nos demais períodos, a emigração era secundária, isto é, através do Brasil ou da Argentina.

Mas a experiência de colonização com poloneses, nestes países, não foi exitosa. A colonização agrícola, em particular, só fixou raízes mais profundas no Brasil, principalmente, e na Argentina.

Iraci José Marin



Rodycz & Ordakowski Editores: livros de cultura e história da imigração polonesa
Rua Gen. Lima e Silva, 1066 - conj. 204
CEP 90150.002 - Cidade Baixa - Porto Alegre-RS

Fone: 51 3224-7069
E-mail: ro@roeditores.com.br
msmidia.com